O outono da Serra de São Mamede viaja até Valencia de Alcántara, pelas mãos de Fátima Marques. A chef do restaurante Orla do Rio, na Portagem, vai representar Marvão na grande final do XVIII Concurso Internacional de Tapas e Pinchos Medievais.
O certame reúne, de 23 a 25 de outubro, sete representantes das localidades espanholas e portuguesas que integram a Rede de Cidades e Vilas Medievais (Almazán, Estella-Lizarra, Hondarribia, Laguardia, Marvão, Sigüenza y Valencia de Alcántara), na disputa pelo título de chef medieval de 2026.
“Bosque de Outono” é uma criação inspirada nas paisagens da Serra de São Mamede, que encontra dois dos seus principais sabores na castanha e nos cogumelos.
A proposta parte de um bolo esponjoso de queijo (sponge cake), sobre o qual Fátima Marques constrói a sua particular paisagem de outono, com puré de castanha e cogumelos salteados, acompanhados por apontamentos de pimenta e ervas aromáticas.
“Procurei produtos que representassem esta terra e esta paisagem. A castanha e os cogumelos são muito característicos daqui e queria levar esses sabores ao Concurso”, explica.
A elaboração corresponde também a uma forma muito concreta de entender a cozinha. Fátima aposta em respeitar o sabor de cada ingrediente e encontrar o equilíbrio entre todos eles, sem incorporar elementos ou técnicas apenas para aumentar a complexidade do prato. Por detrás dessa aparente naturalidade existe uma proposta pensada para que cada produto tenha uma função e o conjunto mantenha uma identidade reconhecível.
“Não acredito que seja preciso fazer algo muito difícil. Prefiro algo mais simples, porque às vezes o simples é melhor”, resume.
Uma paisagem transformada em petisco
O nome “Bosque de Outono” não surge por acaso. O restaurante Orla do Rio encontra-se na Portagem, junto ao rio Sever e aos pés de Marvão, num território marcado pela Serra de São Mamede e por uma paisagem que se transforma, de forma especial, com a chegada do outono.
É precisamente esse ambiente que Fátima quis transportar para o prato. Os castanheiros, os cogumelos e os sabores da época servem de inspiração para uma criação que pretende falar do seu lugar de origem, antes mesmo de chegar a Valencia de Alcántara.
De Marvão a Valencia de Alcántara
Para Fátima Marques, a final significa também reencontrar-se com um Concurso que já conhece do outro lado dos fogões. Marvão já acolheu por duas vezes a grande final internacional, o que permitiu à cozinheira portuguesa acompanhar de perto a chegada de profissionais provenientes das diferentes localidades da Rede Medieval e conhecer o ambiente que envolve a competição.
Agora será ela a fazer a viagem no sentido inverso e a atravessar a fronteira para representar Marvão em Valencia de Alcántara.
Esse intercâmbio entre cozinheiros, territórios e culturas é precisamente um dos aspetos que mais valoriza. “Gostei muito e penso que é um projeto que deve ter continuidade”, afirma.
A distância entre os dois municípios é curta, mas a final permite voltar a colocar em destaque uma relação que vai muito além da proximidade geográfica. De ambos os lados da fronteira, a paisagem, os produtos e séculos de história partilhada, construíram uma cultura gastronómica com numerosos pontos de encontro.
Sobre a Rede de Cidades e Vilas Medievais
Atualmente, a Rede de Cidades e Vilas Medievais integra Almazán, Estella-Lizarra, Hondarribia, Laguardia, Marvão, Santo Domingo de la Calzada, Sigüenza e Valencia de Alcántara.
O seu objetivo é promover e divulgar o legado histórico, cultural, patrimonial e gastronómico destas localidades. O Concurso Internacional de Tapas e Pinchos Medievais é uma das suas iniciativas mais consolidadas e transforma, todos os anos, a gastronomia num ponto de encontro entre os diferentes territórios que fazem parte da Rede.





