{"id":612,"date":"2020-11-02T15:30:24","date_gmt":"2020-11-02T15:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/cm-marvao-pro.skilltech.pt\/?page_id=612"},"modified":"2026-06-15T16:30:01","modified_gmt":"2026-06-15T16:30:01","slug":"personalidades","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/en\/concelho\/personalidades\/","title":{"rendered":"Personalidades"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; background_color=&#8221;RGBA(255,255,255,0)&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/jeremias_dias.jpg&#8221; locked=&#8221;off&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.27.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_margin=&#8221;200px||||false|false&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.27.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;16085a0c-5f06-4ba2-b5a8-f6760cbe86b7&#8243; hover_enabled=&#8221;0&#8243; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<h1>Personalidades<\/h1>\n<p>Figuras Ilustres de Marv\u00e3o agraciadas com Medalha de M\u00e9rito Municipal (Ouro ou Prata)<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;section&#8221; _builder_version=&#8221;4.16&#8243; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row admin_label=&#8221;row&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;ee27ed4e-6625-4cb1-924a-89efb1ccf185&#8243; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.16&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_accordion _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; toggle_level=&#8221;h2&#8243; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_accordion_item title=&#8221;Outras Figuras Ilustres Ligadas \u00e0 Hist\u00f3ria de Marv\u00e3o &#8211; Jos\u00e9 Xavier Mouzinho da Silveira&#8221; open=&#8221;on&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1195\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mouzinho_da_silveira-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mouzinho_da_silveira-223x300.jpg 223w, https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/mouzinho_da_silveira.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Xavier Mouzinho da Silveira nasceu em Castelo de Vide a 12 de Agosto de 1780. Filho de Francisco Xavier de Gonide, m\u00e9dico e de D. Domingas Ang\u00e9lica Mouzinho era a caricatura do t\u00edpico burgu\u00eas latifundi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Logo desde cedo (16 anos) Mouzinho partiu para Coimbra onde estudou os preparat\u00f3rios necess\u00e1rios para se poder matricular na Faculdade de Direito. Uma vez formado regressou a Castelo de Vide. Em 1802 tomou o cargo de jurista e um dos seus primeiros trabalhos foi assegurar a sua avantajada heran\u00e7a, a Herdade da Silveira (entre outros bens) deixada por seu pai ao morrer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sua ocupa\u00e7\u00e3o como jurista e tamb\u00e9m \u201cempres\u00e1rio\u201d agr\u00edcola atingiu mais tarde a carreira da magistratura judicial.<\/p>\n<p>Mouzinho recebe a sua primeira nomea\u00e7\u00e3o como Juiz de Fora da Vila de Marv\u00e3o em 1809, ano em que se deram as 2\u00aas invas\u00f5es francesas, tendo como autoridade que tomar as provid\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 defesa da sua pra\u00e7a e da regi\u00e3o vizinha.<\/p>\n<p>Em 1813 foi transferido para Set\u00fabal mas regressa em 1817 para Alto Alentejo, para Portalegre, como Provedor da Comarca, e \u00e9 a\u00ed que recebe a not\u00edcia que tinha rebentado no Porto a 24 de Agosto de 1820 a primeira revolu\u00e7\u00e3o liberal.<\/p>\n<p>Com a morte de D. Jo\u00e3o VI (1826) e a instaura\u00e7\u00e3o da Carta Constitucional que Mouzinho apoiava fervorosamente, este passa a ter assento na C\u00e2mara Legislativa como deputado pelo Alentejo. D. Miguel, o ent\u00e3o regente, jura esta mesma Carta mas acaba por reneg\u00e1-la em 1828 quando chega ao Pa\u00eds e os constitucionais, mesmo conservadores como Mouzinho, s\u00e3o obrigados a emigrar. Em Paris, com a fam\u00edlia, Mouzinho tem tempo para se dedicar ao estudo das estruturas econ\u00f3micas, pol\u00edtica e social portuguesas, estruturas estas que teria oportunidade de mudar mais tarde com a sua importante passagem pelo governo.<\/p>\n<p>Mouzinho s\u00f3 viria a abandonar Paris quando em Julho de 1831 \u00e9 chamado por D. Pedro para embarcar para os A\u00e7ores (onde chega em Fev. de 1832) a fim de integrar a sua equipa governativa.<\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o aqui que vai desenvolver a sua obra reformadora, enquanto ministro da Fazenda e da Justi\u00e7a. Almeida Garrett, a seu respeito escreveu mais tarde:<\/p>\n<p>\u201cMouzinho que inteiramente se tinha apoderado do animo de D. Pedro, aproveitou esta situa\u00e7\u00e3o \u00fanica, certamente \u00fanica, e \u00e9 preciso, para se ser justo e poder avaliar directamente as coisa, n\u00e3o esquecer a circunst\u00e2ncia \u2013 aproveitou, digo, aquela ocasi\u00e3o certamente \u00fanica, para fazer aceitar e converter em leis as suas reformas radicias tremendas.<\/p>\n<p align=\"center\">Almeida Garrett in\u00a0<em>Dicion\u00e1rio da Hist\u00f3ria de Portugal<\/em><\/p>\n<p>Ao todo, a obra legislativa de Mouzinho consistiu em 22 decretos promulgados oficialmente nos A\u00e7ores e mais sete no Porto onde chegou com a restante comitiva e ex\u00e9rcito em finais de Julho de 1832.[\/et_pb_accordion_item][et_pb_accordion_item title=&#8221;Dr. Jos\u00e9 Martins Gralha&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; open=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1193\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/dr.-gralha-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p><strong>Nasceu em Lisboa, na freguesia dos Anjos, no dia 12 de Mar\u00e7o de 1894.<\/strong><\/p>\n<p>Frequentou a Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se licenciou a 27 de Novembro de 1920, com a m\u00e9dia de\u00a0<strong>18 valores<\/strong>. Nesta universidade, teve como contempor\u00e2neos alguns dos mais ilustres mestres no campo da Medicina como o\u00a0<strong>Doutor Fernando\u00a0da Fonseca<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Doutor M\u00e1rio Carmona<\/strong>, entre outros. Foi orientado no est\u00e1gio pelo\u00a0<strong>Doutor Salazar de Souza<\/strong>, grande mestre e s\u00e1bio.<\/p>\n<p>Exerceu, por um curto per\u00edodo de tempo, no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.<\/p>\n<p>Em 1922, respondeu a um an\u00fancio de jornal e a 25 de Mar\u00e7o desse ano chegou a Marv\u00e3o, local que desconhecia, para fazer o que deveria ser um pequeno est\u00e1gio, usufruindo do vencimento anual de cinco mil e quatrocentos escudos. Ainda no decorrer do mesmo ano \u00e9 nomeado subdelegado de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em 1928, a C\u00e2mara Municipal emitiu o seguinte parecer \u00e1 sua conduta:<\/p>\n<p><strong>\u201cO\u00a0<i>Doutor Jos\u00e9 Martins Gralha, durante o tempo em que interinamente tem desempenhado o lugar de Facultativo Municipal deste Concelho, isto \u00e9, desde 1922 at\u00e9 hoje, f\u00ea-lo de forma tal que captou a simpatia da popula\u00e7\u00e3o do Concelho, mostrando no desempenho do referido lugar muitos e vastos conhecimentos profissionais, aliados a um trato claro e am\u00e1vel para com os doentes a seu cargo\u201d.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Torna-se, assim, M\u00e9dico Municipal efectivo em 1928.<\/p>\n<p>Contraiu matrim\u00f3nio com Maria Jos\u00e9 Carrilho, com quem teve 4 filhos: Manuel Vitorino Gralha, Fernando Carrilho Gralha, Abel Carrilho Gralha e Jos\u00e9 Carrilho Martins Gralha.<\/p>\n<p>Durante mais de quarenta anos exerceu medicina neste Concelho, tendo demonstrado ser uma pessoa de excelentes qualidades de car\u00e1cter e extrema generosidade. Homem inteligente, virtuoso e com grande capacidade de trabalho, ganhou a simpatia, a amizade e a venera\u00e7\u00e3o de todos os Marvanenses e n\u00e3o Marvanenses.<\/p>\n<p>A p\u00e9, de burro ou de carro\u00e7a, a toda a hora do dia e da noite, fizesse sol ou chuva, percorria o Concelho de Marv\u00e3o e, ainda, noutros concelhos lim\u00edtrofes, sentindo ser seu dever ajudar os menos favorecidos a quem, al\u00e9m dos seus servi\u00e7os, distribu\u00eda medicamentos e, por vezes, ajudava economicamente.<\/p>\n<p>A Casa do Povo de Marv\u00e3o passa a ter a sua colabora\u00e7\u00e3o em 1943. O seu retrato, a t\u00edtulo de homenagem, permaneceu pendurado na parede do posto m\u00e9dico desta institui\u00e7\u00e3o, por cima da secret\u00e1ria.<\/p>\n<p>Prestou, igualmente, durante longos anos, servi\u00e7os no Hospital da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca de car\u00eancias quase totais, a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia n\u00e3o se dissolveu porque o Doutor Gralha enquanto M\u00e9dico e Cidad\u00e3o lhe deu o maior apoio, tendo mesmo realizado por sua conta muitas obras de Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Foi homenageado, em vida, pelos 25 anos de medicina exercida de uma forma altru\u00edsta generosa e abnegada, no Concelho. Assim, recebeu a condecora\u00e7\u00e3o da Ordem de Benemer\u00eancia, com o grau de Comendador, atribu\u00edda pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A Liga dos Filhos e Amigos de Marv\u00e3o prestou-lhe, tamb\u00e9m, homenagem na Casa do Alentejo, em Lisboa, a 15 de Maio de 1963.<\/p>\n<p>Viveu e morreu pobre, sempre apaixonado e dedicado \u00e0 sua miss\u00e3o, pois raramente recebia qualquer remunera\u00e7\u00e3o pelos seus servi\u00e7os. N\u00e3o fora o sal\u00e1rio que recebia como M\u00e9dico Municipal, e que ainda dividia com quem mais necessitava, teria ficado na mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Faleceu a 25 de Agosto de 1964, em Marv\u00e3o.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o ordin\u00e1ria da C\u00e2mara Municipal realizada em 27 de Agosto de 1964, dois dias ap\u00f3s a sua morte, o Executivo manifestou-se da seguinte forma:<\/p>\n<p><strong>\u201c<i>Voto de Pesar \u2013 O senhor Presidente informou a C\u00e2mara do falecimento do Senhor Doutor Jos\u00e9 Martins Gralha, ocorrido na madrugada do dia vinte e cinco do corrente m\u00eas. Depois de lamentar a morte daquele que durante mais de tr\u00eas dezenas de anos fora sempre distinto m\u00e9dico municipal e subdelegado de sa\u00fade deste concelho, grande amigo dos pobres, a quem, al\u00e9m dos seus servi\u00e7os cl\u00ednicos, oferecia e distribu\u00eda os respectivos medicamentos, daquele que n\u00e3o sendo natural do concelho de Marv\u00e3o, aqui se radicou, aqui dedicou toda a sua vida profissional nesta obra de bom fazer e que a todos deixou saudades, pois que foi, al\u00e9m de mais, um homem honesto, de car\u00e1cter \u00edntegro, chefe de fam\u00edlia exemplar e dedicado defensor dos interesses de Marv\u00e3o, o Senhor Presidente prop\u00f4s que ficasse exarado em acta um voto de pesar, o qual foi aprovado por unanimidade. O Senhor Presidente comunicou ainda que o Munic\u00edpio se tinha feito representar com o seu estandarte e edilidade, em todos os actos f\u00fanebres e que, como \u00faltima homenagem, tinha sido oferecida uma coroa de flores.\u201d<\/i><\/strong><\/p>\n<p>A t\u00edtulo p\u00f3stumo, e por decis\u00e3o do Munic\u00edpio de Marv\u00e3o, foi dado o seu nome ao Largo onde se situa a sua Casa de Fam\u00edlia e o consult\u00f3rio onde, durante anos, viveu e exerceu a sua profiss\u00e3o de forma t\u00e3o isenta, digna e nobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Compilado e elaborado a pedido de Jo\u00e3o Fernando de Maia Lamar\u00e3o Gomes Rosa e da Junta de Freguesia de Santa Maria de Marv\u00e3o.)<\/p>\n<p>[\/et_pb_accordion_item][et_pb_accordion_item title=&#8221;Arquiteto  Nuno Teot\u00f3nio Pereira&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; open=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<div><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1191\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/nuno_teotonio_pereira-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/nuno_teotonio_pereira-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/nuno_teotonio_pereira.jpg 350w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n<div>A C\u00e2mara Municipal de Marv\u00e3o entendeu por bem atribuir-me a Medalha de M\u00e9rito, alegando o meu \u201ccontributo na divulga\u00e7\u00e3o do concelho de Marv\u00e3o\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tendo nascido em Lisboa, desde jovem me interessei por entender Portugal, sobretudo a partir da minha profiss\u00e3o de arquitecto, que me levou a procurar conhecer os monumentos e as regi\u00f5es mais not\u00e1veis e, muitas vezes, menos divulgadas. Foi neste contexto que descobri Marv\u00e3o, nos anos 60 do s\u00e9culo passado, ap\u00f3s uma subida penosa por uma estrada muita sinuosa e esburacada, tendo ficado deslumbrado pelo seu conjunto monumental integrado numa magn\u00edfica paisagem. O que me fascinou especialmente foi a vila medieval encimando uma cumeada surpreendente e muito bem aconchegada na encosta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De tal maneira fic\u00e1mos apaixonados pelo lugar, que em 1966 eu e minha mulher acab\u00e1mos por a\u00ed comprar uma casa para passarmos as f\u00e9rias, numa altura em que foi j\u00e1 mais suave a subida da encosta, visto ter sido recuperada aquela estrada, a qual ficou conhecida como a estrada do Jeremias, fruto do seu empenho na sua recupera\u00e7\u00e3o. Esta casa serviria igualmente de ponto de encontro e de estadia a numerosos amigos que, tamb\u00e9m eles, tiveram a oportunidade de aprofundar a sua rela\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi nessa altura que a casa de Marv\u00e3o serviu como ponto de apoio para actividades em que ambos estivemos envolvidos, no \u00e2mbito do combate \u00e0 ditadura salazarista. A esse prop\u00f3sito, foi-me mais tarde relatado por um elemento da GNR que, se algum carro estacionasse com alguma demora \u00e0 nossa porta, deveria ser enviado um sinal para a PIDE de Portalegre, utilizando a seguinte express\u00e3o: \u201cchegou a encomenda!\u201d, sendo que pouco depois um carro dessa corpora\u00e7\u00e3o estacionava junto da casa com o fim de identificar os visitantes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pela mesma \u00e9poca, tirando partido do conhecimento que t\u00ednhamos das redondezas e das rotas utilizadas no contrabando, organiz\u00e1mos v\u00e1rias fugas de jovens mobilizados para a guerra colonial que decidiam sair do pa\u00eds clandestinamente. Juntamente com os nossos filhos, para dar um aspecto de passeio, rum\u00e1vamos por um caminho estreito at\u00e9 \u00e0 localidade fronteiri\u00e7a de La Fonta\u00f1era, onde uma antiga ponte de pedra possibilitava o atravessamento do rio Sever, que demarcava a fronteira; entretanto, um carro de algum amigo atravessava legalmente a fronteira, indo recolher os fugitivos pelo lado espanhol e conduzindo-os at\u00e9 \u00e0 cidade mais pr\u00f3xima servida por transportes colectivos, que eles livremente tomavam, na direc\u00e7\u00e3o da fronteira francesa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais tarde, fui encarregado de fazer os planos de urbaniza\u00e7\u00e3o de Castelo de Vide e P\u00f3voa e Meadas, o que me levou, durante alguns anos, a utilizar a casa de Marv\u00e3o com bastante frequ\u00eancia. Estas desloca\u00e7\u00f5es, somando-se \u00e0s estadias nas f\u00e9rias grandes, levaram-me a tecer la\u00e7os fortes com o concelho e os seus habitantes; tamb\u00e9m as aproveitava para levar comigo pessoas amigas a quem, com frequ\u00eancia, emprestava a casa para per\u00edodos de f\u00e9rias; para todas essas pessoas, Marv\u00e3o passou a ser uma refer\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi neste quadro que fiz parte, em 1969, da lista da CDE (Comiss\u00e3o Democr\u00e1tica Eleitoral) nas elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Nacional, pelo c\u00edrculo de Portalegre. Tendo tentado entregar as assinaturas necess\u00e1rias para o efeito, foi-nos barrado o acesso ao Governo Civil de Portalegre por j\u00e1 passarem 30 minutos da hora estabelecida. Este atraso ficou a dever-se ao facto de uma grande parte das pessoas abordadas, apesar de algumas serem conhecidas por oposicionistas, terem tido receio de colocar na lista o respectivo nome. Apesar deste fracasso, procur\u00e1mos, aproveitando as liberdades concedidas durante esse per\u00edodo, desenvolver uma activa campanha contra o regime ditatorial. Em 1975, fui cabe\u00e7a de lista do Movimento de Esquerda Socialista (MES) nas elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Constituinte, no distrito de Portalegre, e, anos mais tarde, mandat\u00e1rio do Bloco de Esquerda em elei\u00e7\u00f5es legislativas. Actualmente, sou filiado no PS.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De ent\u00e3o para c\u00e1, sempre tenho estado ligado a Marv\u00e3o, dado que a nossa casa passou a funcionar como resid\u00eancia permanente da fam\u00edlia de meu filho Miguel Teot\u00f3nio Pereira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Neste momento t\u00e3o especial quero tamb\u00e9m congratular-me com a homenagem que \u00e9, finalmente, prestada a Jeremias da Concei\u00e7\u00e3o Dias, por mim reclamada em artigo publicado no Jornal P\u00fablico em 10\/10\/1994, de quem tive o privil\u00e9gio de ser amigo e admirador da sua luta incessante pela defesa do patrim\u00f3nio de Marv\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: right;\">Marv\u00e3o, 8 de Setembro de 2010<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Nuno Teot\u00f3nio Pereira&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/et_pb_accordion_item][et_pb_accordion_item title=&#8221;Jeremias da Concei\u00e7\u00e3o Dias&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; open=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1189\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/jeremias_dias-300x211.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"211\" \/><\/p>\n<p>Finalmente chegou o momento de se prestar a t\u00edtulo p\u00f3stumo a justa homenagem ao saudoso Marvanense Jeremias da Concei\u00e7\u00e3o Dias.<br \/>Certamente que os Marvanenses n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas de que esta homenagem s\u00f3 peca por tardia. \u00c9 muito dif\u00edcil falar dos atributos que ohomenageado era dotado, as suas qualidades human\u00edsticas sobressaiam de todas as outras , a pobreza era a sua maior preocupa\u00e7\u00e3o, a sua casa estava sempre aberta para auxiliar os que precisavam. Era um homem com conhecimentos privilegiados, dos quais tirava algumas vantagens para o Concelho em geral e Marv\u00e3o em especial:<\/p>\n<p><strong>Assim foi poss\u00edvel:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A constru\u00e7\u00e3o da Piscina Pluvial da Portagem;<\/li>\n<li>A\u00a0 constru\u00e7\u00e3o da Estrada Nacional n\u00ba359, da Portagem ao limite Norte do Concelho;<\/li>\n<li>A Restaura\u00e7\u00e3o das muralhas da cidadela;<\/li>\n<li>A Pousada de Santa Maria;<\/li>\n<li>A recupera\u00e7\u00e3o dos sinos das Igrejas da vila, entre outros;<\/li>\n<\/ul>\n<p>O Senhor Jeremias da Concei\u00e7\u00e3o Dias, era um homem com ideias muito pr\u00f3prias, n\u00e3o gostava de ser contrariado, n\u00e3o era f\u00e1cil aceitar a derrota, como ele gostava de dizer \u201cn\u00e3o recuo nem um mil\u00edmetro\u201d<\/p>\n<p>Resta-me agradecer \u00e0 edilidade pela homenagem prestada a este ilustre e Grande Marvanense, Jeremias da Concei\u00e7\u00e3o Dias, aos familiares aqui presentes os quais sa\u00fado e exorto a ter orgulho do Homem que foi o senhor Jeremias. Com um muito obrigado aos Marvanenses que se designaram a assistir a esta homenagem.<\/p>\n<p>Marv\u00e3o, 08 de Setembro de 2010, Joaquim Diogo Sim\u00e3o<\/p>\n<p>[\/et_pb_accordion_item][et_pb_accordion_item title=&#8221;Jo\u00e3o Francisco Rosado Nunes Vidal&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; open=&#8221;off&#8221;]<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1187\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/vidal-168x300.jpg\" alt=\"\" width=\"168\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>Quando me desloquei \u00e0 sua casa para fazer esta recolha biogr\u00e1fica encontrei-o algo abatido e apreensivo mas bastou o convite para revisitar a sua vida para lhe iluminar o rosto e encher o olhar de mem\u00f3rias. Transfigurou-se em segundos e parecia outra pessoa, alegre e faladora que se divertia e recriava com os epis\u00f3dios passados.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Francisco Rosado Nunes Vidal, nasceu a 28 de Fevereiro de 1940, h\u00e1 69 anos, no Jardim, freguesia de S\u00e3o Salvador da Aramenha. \u00c9 filho de Manuel Nunes Vidal, canastreiro de profiss\u00e3o, e de Catarina Rosado Tapadinhas, dom\u00e9stica. Deles herdou a veia art\u00edstica que j\u00e1 antes se tinha manifestado na fam\u00edlia nas figuras do av\u00f4 paterno e da av\u00f3 materna, ambos tocadores de harm\u00f3nica. O pai era acordeonista e a m\u00e3e, uma cantadeira famosa. Juntos formaram uma dupla de sucesso que animou os bailes no concelho e na regi\u00e3o. Com eles aprendeu a habituar-se \u00e0s festas, a crescer entre as palmas, a conhecer o poder libertador da dan\u00e7a. Dormiu muitas vezes junto ao palco, enrolado num xaile. Por vezes acordava quando a baila\u00e7\u00e3o estava rija e dan\u00e7ava tamb\u00e9m. Conheceu muita gente, muitos s\u00edtios. Tornou-se popular.<\/p>\n<p>Frequentou a escola prim\u00e1ria da Portagem, onde hoje funciona a Sociedade Recreativa. Aos 12 anos partiu para a cidade e ingressou no Curso de Forma\u00e7\u00e3o Geral de Com\u00e9rcio da Escola Comercial de Portalegre.<\/p>\n<p>Quando terminou, o seu primeiro emprego foi no escrit\u00f3rio dos \u201cCaf\u00e9s Guapa\u201d, situados nos Olhos d\u2019\u00c1gua, propriedade do Sr. Jos\u00e9 Maria Pires Cardoso. O neg\u00f3cio ia de vento em popa e s\u00f3 o irrecus\u00e1vel convite para trabalhar no Banco Pinto e Sotto Mayor, o fez rumar a Lisboa. N\u00e3o podendo estar longe da m\u00fasica e da ac\u00e7\u00e3o, entrou para o coral da Casa do Alentejo que ajudou entretanto a reorganizar.<\/p>\n<p>Anos depois surgiu a oportunidade de regressar e voltou a Portalegre, para a sucursal deste banco na cidade, perto do Caf\u00e9 Alentejano, onde desempenhou as fun\u00e7\u00f5es caixa e fazia de tudo um pouco. O Sr. Vivas da Beir\u00e3 era cliente e ia l\u00e1 com frequ\u00eancia depositar dinheiro e tratar de neg\u00f3cios. Como era Provedor da Santa Casa de Marv\u00e3o e conhecia o gosto que Vidal nutria pela m\u00fasica, cultura e etnografia, falou-lhe na possibilidade de fazer um rancho da Miseric\u00f3rdia. Esta institui\u00e7\u00e3o tinha ent\u00e3o dois asilos para jovens, um para rapazes (no edif\u00edcio do Esp\u00edrito Santo ao lado da Casa do Governador) e outro para raparigas que funcionava na pr\u00f3pria sede. Neles estavam hospedados cerca de 60 rapazes e 60 raparigas chegados de todo o pa\u00eds e oriundos de fam\u00edlias pobres. A ideia do rancho surgiu com o intuito de criar mais uma actividade para ocupar os tempos livres daqueles jovens. As inten\u00e7\u00f5es foram as melhores mas o resultado foi revolucion\u00e1rio para a \u00e9poca. Permitir que jovens de sexos diferentes se juntassem e passassem horas a ensaiar e a dan\u00e7ar agarrados n\u00e3o era propriamente do agrado das freiras e muito menos da Madre Saturnina que tudo fazia para n\u00e3o os ver juntos.<\/p>\n<p>Vidal aceitou o convite de forma graciosa e passou a deslocar-se de Portalegre propositadamente para os ensaios. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o recebia qualquer tipo de pagamento como teve de fazer investimentos do seu pr\u00f3prio bolso. Comprou ent\u00e3o um gravador que ainda hoje conserva, car\u00edssimo para a altura, um luxo s\u00f3 ao alcance do ordenado de um banc\u00e1rio. Foi dos primeiros aparelhos que por aqui apareceram e revelou-se uma ferramenta indispens\u00e1vel para o trabalho de recolha de modas que iniciou ent\u00e3o por todo o concelho. Os seus interlocutores de mais idade, aqueles que guardavam os saberes mais antigos, assustavam-se com o aparelho \u201cque guardava a voz l\u00e1 dentro\u201d e muitas vezes teve de levar o gravador escondido. Fazia esquemas num papel com as dan\u00e7as que \u201cn\u00e3o importavam se eram bonitas ou feias. O que importava era se eram aut\u00eanticas\u201d. As portas abriram-se-lhe com muita facilidade. A popularidade angariada nas digress\u00f5es art\u00edsticas com os pais quando era crian\u00e7a foi-lhe ent\u00e3o muito \u00fatil. Reuniu um total de 60 modas sendo algumas delas palacianas, aprendidas por pessoas que trabalharam em casas de pessoas abastadas.<\/p>\n<p>Participou tamb\u00e9m activamente nos cortejos de oferendas que se realizavam sempre no dia 8 de Setembro, nos quais pessoas e institui\u00e7\u00f5es de todo o concelho se deslocavam a Marv\u00e3o de carro\u00e7a para levarem produtos que ofereciam \u00e0 Miseric\u00f3rdia. Era uma manifesta\u00e7\u00e3o muito importante que envolvia muita gente chegada de toda a parte e oferecia um pouco de tudo o que tinha.<\/p>\n<p>Entretanto, a actividade do rancho que se prolongou por cerca de 3 anos, extinguiu-se quando o asilo para jovens terminou e estes se\u00a0 viram obrigados a regressar \u00e0s suas terras.<\/p>\n<p>Diz o povo que \u201csempre que se fecha uma porta, se abre uma janela\u201d. O \u00eaxito da actividade in\u00e9dita que desenvolveu no Rancho da Miseric\u00f3rdia granjeou-lhe uma fama que levou a que o convidassem a fundar um rancho na Boavista, em Portalegre. Nesse ent\u00e3o, o \u201cbichinho\u201d do folclore j\u00e1 mandava muito na sua vontade e n\u00e3o pensou duas vezes. Encetou ent\u00e3o uma intensa actividade de recolha das modas desse concelho, sobretudo nos Fortios, em S\u00e3o Juli\u00e3o e na Urra. Ali n\u00e3o faltavam pares e vontade. J\u00e1 com fama de refer\u00eancia da etnografia \u00e0 escala distrital, chegou a ensaiar quatro vezes por semana, as mais de 80 pessoas divididas em 3 escal\u00f5es et\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esta actividade graciosa e mantida unicamente pelo gosto durou cerca de 4 anos, at\u00e9 ao momento em que saiu do banco e deixou Portalegre. Nesse momento, o rancho da Boavista j\u00e1 estava completamente formado, sedimentado e em plena actividade.<\/p>\n<p>Entrou ent\u00e3o para a C\u00e2mara de Marv\u00e3o, numa fase em que tinha sa\u00eddo da presid\u00eancia o Dr. Machado e entrado o Sr. Carita, num per\u00edodo em que os autarcas n\u00e3o era eleitos mas nomeados pelo Governador Civil. A\u00ed fez de tudo. Recorda-se de um livro enorme onde se registavam as receitas e as despesas, cujo preenchimento era uma das suas incumb\u00eancias.<\/p>\n<p>Entretanto, em Castelo de Vide havia j\u00e1 um rancho mas que era muito fraquinho e funcionava mal. Decidiu dar uma ajuda e acabou por ficar quase por d\u00e9cada e meia. Curiosamente, foi este projecto, o \u00fanico que n\u00e3o come\u00e7ou de raiz, aquele que lhe deu mais trabalho. Desenvolveu uma intensa recolha etnogr\u00e1fica na vila e em P\u00f3voa e Meadas, uma zona muito rica em modas e tradi\u00e7\u00f5es, sempre acompanhado do seu insepar\u00e1vel gravador.<\/p>\n<p>O Sr. Carita, sabendo-o conhecedor do concelho e das regi\u00f5es lim\u00edtrofes como ningu\u00e9m, aconselhou o Director-Geral de Turismo a coloc\u00e1-lo no Posto de Turismo da Fronteira de Galegos que tinha ent\u00e3o um movimento extraordin\u00e1rio. Ali trabalhou durante cerca de 12 anos, numa \u00e1rea que o motivava imenso e achava muito estimulante.<br \/>\nDo Rancho de Castelo de Vide saiu para fundar o da Casa do Povo de Santo Ant\u00f3nio das Areias, h\u00e1 cerca de 25 anos atr\u00e1s. Nesta aldeia existia j\u00e1 um rancho que foi come\u00e7ado pelo Sr. Rui Sequeira que terminou. Decidiu deitar m\u00e3o ao que restava desse grupo e organizou-o de forma diferente porque \u201co folclore n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que se canta e dan\u00e7a mas tamb\u00e9m o que se traja\u201d. O rancho \u00e9 da Casa do Povo porque na altura estas institui\u00e7\u00f5es tinham dinheiro para apoiar o folclore. \u00c9 esse o motivo porque h\u00e1 tantos sob essa tutela espalhados por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O rancho arrancou logo com muita gente, perto de 100 pessoas, o que permitiu fazer 3 escal\u00f5es. Os ensaios, duas vezes por semana, come\u00e7aram no Grupo Desportivo Arenense. Brilham-lhe os olhos ao recordar as gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es de arenenses que por l\u00e1 passaram, sempre com ele como ensaiador. Nesses tempos nunca faltaram m\u00fasicos para a tocata, como acontece agora. Lembrou o Sr. Jo\u00e3o Carrilho e o Manuel Rafael Carrilho, o Adelino Marmelo, o Barbas, o V\u00edtor Conchinha (que fez a m\u00fasica da Sr.\u00aa da Estrela partindo das quadras recolhidas por ele), o Ab\u00edlio Baldeiras\u2026<\/p>\n<p>Fala tamb\u00e9m com orgulho do Festival de Folclore do concelho de Marv\u00e3o que organizou pela primeira vez no tempo da presid\u00eancia do Sargento Paz, ainda com um car\u00e1cter regional.<\/p>\n<p>Quando nasceu a R\u00e1dio \u201cNinho d\u2019\u00c1guias\u201d, de Marv\u00e3o, durante o boom das r\u00e1dios piratas em Portugal, divulgou o folclore no programa \u201cDe l\u00e9s-a-L\u00e9s\u201d, um dos mais apreciados pelos ouvintes.<\/p>\n<p>Durante todo este tempo, nunca descurou o precioso trabalho de recolha. S\u00f3 modas de saias tem cerca de 200 e ainda hoje conserva todas as cassetes de grava\u00e7\u00f5es desde o in\u00edcio (algumas delas certamente j\u00e1 desmagnetizadas), um esp\u00f3lio riqu\u00edssimo que convinha recuperar com urg\u00eancia e preservar.<\/p>\n<p>Ainda antes da abertura das fronteiras, quando as pessoas j\u00e1 paravam muito menos, o Posto foi encerrado. Entrou ent\u00e3o para a secretaria da Escola B\u00e1sica Integrada Dr. Manuel Magro Machado de onde se viria a reformar.<\/p>\n<p>Decidiu abandonar o \u201cseu\u201d rancho h\u00e1 3 anos por achar que j\u00e1 n\u00e3o havia verdade etnogr\u00e1fica. \u201cO traje para mim \u00e9 como se fosse um uniforme. Havia uma falta de respeito muito grande e foi melhor afastar-me\u201d, disse, numa decis\u00e3o solit\u00e1ria e irrevers\u00edvel. A sua esposa e filha continuam ainda hoje a colaborar em perman\u00eancia. A princ\u00edpio sofreu imenso com essa sa\u00edda mas agora diz que \u201cvai vivendo\u201d. A paix\u00e3o pelo folclore vai sendo alimentada em tardes e ser\u00f5es a ouvir as centenas de grava\u00e7\u00f5es que lhe foram oferecidas por ranchos de todo o pa\u00eds ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Delegado da Federa\u00e7\u00e3o do Folclore Portugu\u00eas, entidade encarregue de \u201cseparar o trigo do joio\u201d apoiou ainda os ranchos de Nisa; de Vale de Maceiras, no concelho de Fronteira; de G\u00e1fete; de Aldeia da Mata\u2026<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a este amor de toda a vida conhece e \u00e9 conhecido em todo o pa\u00eds que percorreu praticamente na \u00edntegra.<br \/>\nA vida de Jo\u00e3o Nunes Vidal \u00e9 uma vida dedicada \u00e0 causa etnogr\u00e1fica. Milhares de quil\u00f3metros percorridos, milhares de horas de recolha, milhares de horas de ensaios, milhares de horas de actua\u00e7\u00f5es numa exist\u00eancia de aut\u00eantica milit\u00e2ncia que hoje, aqui e agora se homenageiam.<\/p>\n<p>Perguntei-lhe se gostou do gesto, de decis\u00e3o un\u00e2nime que foi tomada pela C\u00e2mara Municipal de lhe entregar este galard\u00e3o. Sorriu com ar de menino, arregalou os olhos, levou as m\u00e3os ao peito e disse: \u201cFiquei muito contente. Muito. Gostei muito. L\u00e1 estarei. Muito obrigado\u201d.<\/p>\n<p>Muito obrigado dizemos n\u00f3s, a si, por tudo o que fez. Em nome de Marv\u00e3o,<\/p>\n<p>Bem haja.<\/p>\n<p>(texto de Pedro Sobreiro)[\/et_pb_accordion_item][et_pb_accordion_item title=&#8221;Jo\u00e3o Nunes Sequeira&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; open=&#8221;off&#8221;]<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1185\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/joao_nunes_sequeira.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"265\" \/><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Nunes Sequeira, nascido a 17 de Julho de 1895 na povoa\u00e7\u00e3o e Freguesia de Santo Ant\u00f3nio das Areias, era filho de J\u00falio Nunes Sequeira e de Henriqueta dos Rem\u00e9dios, que, embora doente, e de poucos recursos, trabalhava como costureira. Foi um tio, barbeiro de profiss\u00e3o, que se ocupou do sobrinho at\u00e9 concluir a 4\u00aa classe. Foi ajudante de pedreiro at\u00e9 ingressar na C.P., acumulando as fun\u00e7\u00f5es de encarregado do Posto dos C.T.T. Ingressou no servi\u00e7o militar, onde chegou a sargento enfermeiro no Hospital Militar da Estrela.<\/p>\n<p>Regressando a Santo Ant\u00f3nio, aqui montou um pequeno com\u00e9rcio que rapidamente fez expandir. Em 1930 abre o seu primeiro armaz\u00e9m, em 1931 adquire a Herdade do Pereiro, que chegou a ter cerca de 200 trabalhadores e onde em 1937 instala a 1\u00aa f\u00e1brica de piment\u00e3o. Instala novas f\u00e1bricas me Cabe\u00e7o de Vide, Elvas, Bemposta, Mora e Borba.<\/p>\n<p>Em 1940 desenvolve a comercializa\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ado.<\/p>\n<p>Adquire a F\u00e1brica Real de Portalegre em 1954. Em 1956 abre o Cine Teatro Crisfal.<\/p>\n<p>Em 1959 expande a sua actividade para Angola. O desenvolvimento dos seus neg\u00f3cios continua ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Em termos de obra social, ajudou a construir 50 habita\u00e7\u00f5es no Bairro da Casa do Povo, a Pra\u00e7a de Touros, a cantina escolar, casa paroquial e cede o terreno para constru\u00e7\u00e3o do infant\u00e1rio.<\/p>\n<p>Foi durante v\u00e1rios anos vereador da C\u00e2mara Municipal de Marv\u00e3o e fez parte dos \u00f3rg\u00e3os gestores da Casa do Povo de Santo Ant\u00f3nio das Areias.<\/p>\n<p>A C\u00e2mara Municipal de Marv\u00e3o proclamou Jo\u00e3o Nunes Sequeira cidad\u00e3o benem\u00e9rito e benquisto filho de Santo Ant\u00f3nio das Areias. Tem nome de rua na mesma aldeia e um busto erigido pela popula\u00e7\u00e3o. Faleceu em 9 de Janeiro de 1968.<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong><br \/>\n&#8211; Boletins da Miseric\u00f3rdia da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Marv\u00e3o<br \/>\n&#8211; Texto do Boletim Municipal \u201cDa Guarita\u201d sobre o Dr. Machado<br \/>\n&#8211; Artigo da Ibn Maruan n\u00ba12 \u201cTopon\u00edmia do Concelho de Marv\u00e3o\u201d de Fernando Carita[\/et_pb_accordion_item][et_pb_accordion_item title=&#8221;Dr. Ant\u00f3nio de Mattos Magalh\u00e3es&#8221; _builder_version=&#8221;4.27.5&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221; open=&#8221;off&#8221;]<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1183\" src=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pers-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pers-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.cm-marvao.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pers.jpg 423w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio de Mattos Magalh\u00e3es nasceu na aldeia da Escusa, Freguesia de S\u00e3o Salvador da Aramenha. Na sua \u00e9poca, foi das personagens mais influentes do concelho, com ac\u00e7\u00e3o predominante na sua restaura\u00e7\u00e3o, em 1898.<\/p>\n<p>Fez a prepara\u00e7\u00e3o escolar no Semin\u00e1rio e Liceu de Portalegre, concluindo o curso de Direito, em Coimbra, no ano de 1883\/1884. Quando da extin\u00e7\u00e3o do concelho, Ant\u00f3nio de Matos Magalh\u00e3es era vereador da C\u00e2mara Municipal. Ap\u00f3s a sua restaura\u00e7\u00e3o, foi ele que assumiu a presid\u00eancia da comiss\u00e3o administrativa e mais tarde a presid\u00eancia da C\u00e2mara, depois das elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio de Matos Magalh\u00e3es foi portanto o l\u00edder dos des\u00edgnios marvanenses durante este importante per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria concelhia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sua actividade como pol\u00edtico (durante mais de 20 anos) e agricultor (Quinta do Penedo da Rainha), dedicou muito da sua vida \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, mandando construir a suas expensas alguns edif\u00edcios escolares (ex. escola da Beir\u00e3).<\/p>\n<p>Foi o perseverante e entusiasta impulsionador das termas da Fadagosa \u2013 Beir\u00e3. N\u00e3o tendo a C\u00e2mara Municipal disponibilidade financeira para custear a explora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, nem verbas para custear as despesas do projecto de reedifica\u00e7\u00e3o dos referidos banhos, deliberou em sess\u00e3o de 4 de Outubro de 1885, que estas \u00e1guas se vendessem em hasta p\u00fablica, arrematando-as ent\u00e3o o Dr. Ant\u00f3nio de Mattos Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Faleceu em 15 de Agosto de 1915 e est\u00e1 sepultado no cemit\u00e9rio de Marv\u00e3o. O seu nome foi dado a v\u00e1rias ruas do concelho (Marv\u00e3o, Beir\u00e3, Escusa)[\/et_pb_accordion_item][\/et_pb_accordion][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Personalidades Figuras Ilustres de Marv\u00e3o agraciadas com Medalha de M\u00e9rito Municipal (Ouro ou Prata) Jos\u00e9 Xavier Mouzinho da Silveira nasceu em Castelo de Vide a 12 de Agosto de 1780. Filho de Francisco Xavier de Gonide, m\u00e9dico e de D. Domingas Ang\u00e9lica Mouzinho era a caricatura do t\u00edpico burgu\u00eas latifundi\u00e1rio. Logo desde cedo (16 anos) [&hellip;]<\/p>\n<div class='heateorSssClear'><\/div><div  class='heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing' data-heateor-sss-href='https:\/\/www.cm-marvao.pt\/en\/concelho\/personalidades\/'><div class='heateor_sss_sharing_title' style=\"font-weight:bold\" >Spread the love<\/div><div class=\"heateor_sss_sharing_ul\"><a aria-label=\"Facebook\" class=\"heateor_sss_facebook\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fwww.cm-marvao.pt%2Fen%2Fconcelho%2Fpersonalidades%2F\" title=\"Facebook\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" style=\"font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle\"><span class=\"heateor_sss_svg\" style=\"background-color:#0765FE;width:25px;height:25px;border-radius:999px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 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